quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

“Quero reconstruir minha vida em 2010”

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Depois de um ano intenso de trabalho como protagonista de dois filmes, Glória Pires planeja finalmente curtir Paris ao lado do marido e dos filhos: “Minha rotina ficou estrangulada”

Por Patrícia Moraes


Morando em Paris há um ano e meio com a família, Glória Pires não esconde a saudade que sente do Brasil, mas se diz em “um momento de reflexão” em sua temporada na capital francesa. “As pessoas, a família, os amigos fazem falta, mas viver lá é como uma pausa, principalmente para ficar mais perto das crianças”, afirma a atriz. Durante passagem por São Paulo, para divulgar os dois filmes que protagoniza, É Proibido Fumar e Lula, o Filho do Brasil, Glória concedeu entrevista exclusiva a QUEM. Visivelmente cansada por causa dos inúmeros compromissos para a promoção do longa-metragem sobre a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no qual ela interpreta a mãe do político, dona Lindu, a atriz falou sobre o ótimo momento, justamente no ano em que comemora 40 anos de carreira. Tanto trabalho fez Glória adiar a rotina que planejou na Europa. “Meu projeto futuro é voltar para casa, passar as festas de final de ano e reconstruir minha vida em 2010, que tem sido tão interrompida.” Longe dos filhos Antonia, Ana e Bento, do casamento com o músico Orlando Morais, que não acompanharam a mãe na vinda ao Brasil, ela não tira o celular da bolsa. “É indispensável para matar a saudade deles. A tecnologia ajuda muito a gente nessas horas.” Pela primeira vez no cinema ao lado da filha mais velha, Cleo Pires (do casamento com Fábio Jr.), no filme sobre Lula, Glória comentou que a oportunidade é “coisa de amigo”, já que não havia diálogo previsto entre as personagens das duas. “O Fábio (Barreto, diretor do filme) criou uma frase para que essa ligação que existe fora da tela estivesse de alguma forma registrada. Foi uma coisa muito carinhosa”, completou. Glória diz que Cleo a solicita superpouco em termos de carreira, mas que essa postura corresponde à expectativa de independência que ela alimentava como mãe.

QUEM: Surgiram algumas críticas ao filme Lula, o Filho do Brasil, por retratar a história de um presidente ainda em exercício e também por ser lançado em janeiro de 2010, ano eleitoral. Você teve receio ao aceitar o papel?
GLÓRIA PIRES: Houve um questionamento, sim. Quando o Fábio (Barreto, diretor) me ligou e disse que me queria no elenco, eu não entendi por que ele queria fazer um filme sobre o Lula. Ele pediu para eu ter paciência e só responder depois que lesse o roteiro. Quando li, fiquei encantada. Percebi que aquela história era forte, que precisava ser contada. Fiquei muito feliz por ele ter me escolhido para viver dona Lindu. O Brasil é um país que tem a tradição de excelentes atrizes e ele tinha muitas opções. É muito bom ter amigos (risos).

QUEM: No último dia 28, você participou de uma pré-estreia do filme ao lado de Lula e parte da família do presidente, em São Bernardo do Campo. Como foi?
GP: Aquele dia foi uma loucura. Eu estava ansiosa. Mas, ao final, vimos que ele ficou muito emocionado com o filme. Não tive muito tempo para conversar com ele, porque alguns parentes e amigos o foram cercando e quiseram comentar com ele o filme. Ele só me disse que tinha ficado muito contente, que o filme era bom e que eu estava muito bem. Acho que é a maior recompensa contribuir para a imagem daquela pessoa que ainda é tão querida naquela família, mesmo tanto tempo depois do falecimento dela. As reações foram muito bonitas, emocionadas, com o fato de terem novamente contato com aquela pessoa na tela.

QUEM: Sua avaliação de Lula mudou após ter feito o filme?
GP: Eu tinha uma relação bem distante de toda a situação. Não tinha uma expectativa especial. O que mudou é que passei a conhecer um trecho da vida dele que eu tinha ideia, mas não conhecia por completo. É uma história muito brasileira.

QUEM: O filme também marca a primeira vez que você contracena com sua filha Cleo Pires...
GP: Nossa convivência no set foi muito pequena, apenas três sequências juntas. Duas, inclusive, no mesmo dia, na cena do casamento. Nem havia nenhum diálogo e o Fábio (Barreto) criou um para que essa ligação, que existe fora da tela, estivesse de alguma forma registrada – o que foi uma coisa muito carinhosa dele, como sempre. Mas, apesar de nossos personagens não terem tido tantas oportunidades assim, foi bacana. Achei que o que está ali está bonito, sabe?


QUEM: A Cleo comentou que você e Orlando não aprovaram o primeiro ensaio nu que ela fez para uma revista. Você a aconselha profissionalmente?
GP: (Risos) Não. Eu nunca proibi nenhum trabalho. Eu e Orlando temos uma forma de agir diferente. Ele vai atrás de querer saber, de inquirir, de estar buscando, eu fico esperando que ela venha até mim. Na verdade, troquei poucas impressões artísticas com a Cleo porque ela me solicita superpouco. Um dia, até falei para ela: “Poxa, tanta gente me procura para ouvir o que eu tenho a dizer e você, que é minha filha e me tem a seu lado, vai independentemente disso!”. Por um lado é maravilhoso e faz parte de uma expectativa que eu tinha de ela ser independente, de fazer a vida dela, de ter autonomia. Não tem briga, de dizer “não gostei de você ter feito”.

QUEM: Mas você aprovou?
GP: Eu digo que não serve para mim, não é meu estilo, mas é o dela. Consigo compreender que a carreira dela é diferente da minha.

QUEM: Você também protagoniza o filme É Proibido Fumar, da Anna Muylaert, no qual interpreta a professora de violão Baby, que tenta parar de fumar. Você comentou que conseguiu se livrar do vício...
GP: Eu comecei a fumar muito cedo. Parei e voltei algumas vezes, mas há nove anos consegui me livrar definitivamente do cigarro. No filme, eram cigarros sem nicotina. A fumaça às vezes me incomoda, mas acho que há espaço para todo mundo.

QUEM: Os dois filmes são bem diferentes. Como foi terminar de fazer Baby e já se preparar para fazer dona Lindu?
GP: O barato da vida do ator é fazer justamente isso. Tenho tido sorte de ter recebido esses convite,s com propostas tão diferentes entre si, em um único ano. Aos 46 do segundo tempo (risos), tudo isso tem sido uma boa surpresa.

QUEM: Aos 46 anos, você se considera uma mulher preocupada com a saúde, com a aparência?
GP: Gosto de fazer academia, pilates, correr. Também não como carne há muito tempo...

QUEM: É uma mãezona? Como faz para matar a saudade, enquanto está tão longe?
GP: Eu gosto muito de acompanhar a rotina deles, passear, ficar junto. Agora, quando estou longe, não tiro o celular da bolsa. A tecnologia ajuda muito a gente nessas horas.

QUEM: E a vida em Paris?
GP: A vida lá tem sido muito boa para reflexão, como uma pausa. Tem sido muito agradável em vários aspectos. É uma delícia. A gente vê coisas interessantes e vive uma rotina bem próxima das crianças, principalmente.

QUEM: Do que você mais sente falta quando está em Paris?
GP: As pessoas, os amigos, a família fazem falta. Mas lá a gente tem pão de queijo, farofa, feijão-preto, feijoada, caipirinha. Temos tudo, não falta nada.

QUEM: O que te agrada mais lá?
GP: Olha, o francês, que é com quem eu estou tendo esse contato, tem uma forma muito simples, direta de viver. Cada um sabe o que tem que fazer, sabe o seu papel dentro da sociedade. As pessoas têm consciência de que a sociedade é feita de vários indivíduos. Para os meus filhos, então, é um exemplo muito bom. É bom ser criado em um conceito como esse. Acho importante eles aprenderem a andar de ônibus, de metrô. Principalmente para ter uma vida mais próxima do real, porque aqui eles não têm.

QUEM: Por causa da violência?
GP: Sim. A violência é um problema que engolfou nosso país. Acho que quando a sensação de segurança voltar, quando tiver alguém zelando pela ordem, quando as pessoas perceberem que existe um Estado que pensa dessa forma, todos poderão andar na rua, comer no parque, como acontece em Paris. Porque, mesmo à praia, que é mania nacional, muitas pessoas não vão mais por medo. O medo é terrível, a sensação de insegurança é terrível. Principalmente quando a gente tem filho.

QUEM: E como será quando vocês voltarem?
GP: Olha, essa é uma questão que estamos estudando, Orlando e eu. Por um lado, a pior parte da adaptação deles na Europa já passou. Nós gostaríamos que nossos filhos ficassem pelo menos mais um ano lá, para sedimentar. Eles estão com os amigos, estão se sentindo parte da cidade, já não sentem tanto a falta do calor – sabe, daquela coisa de brincar no frio, cheio de roupa de agasalho? É um aprendizado. Eles já passaram dessa fase, estão felizes com a cidade, com a rotina das aulas. Eu gostaria que eles pudessem ter mais um tempo agora, curtindo isso, aproveitando. Vamos ver.

QUEM: Mas você volta para o Brasil antes, no final do ano que vem, quando começa a gravar a próxima novela do Gilberto Braga...
GP: É, talvez dê para casar a carreira com a vida lá. Sei que novela é um pouco diferente. Quando se está fazendo uma novela, não dá para ter uma pausa, para dar uma fugida de 12 horas com um fuso horário de 5 horas (risos). Mas eles têm as férias. Seria um período, não é para sempre.
QUEM: Você fará uma vilã?
GP: É, mais ou menos (risos). Ainda não tenho muitos detalhes. Mas posso dizer que é ótimo saber que vou voltar à TV, que é minha casa, que adoro, em uma novela do Gilberto (Braga). Ele é um autor superinteressante, sempre traz essa coisa policial nas histórias que conta.

QUEM: E o Orlando, já está fazendo alguma música para esse próximo trabalho seu?
GP: O Orlando? Por enquanto, não. Mas é lógico que eu já falei da novela para ele e ele está muito empolgado e acha que pode ser muito bom – como eu acho também.

QUEM: Vocês estão casados há 22 anos. Como ele é?
GP: O Orlando participa muito da minha vida e carreira. Ele é um parceirão, palpita mesmo, fala, assiste às cenas, aos filmes. Ele é superpresente e sempre diz o que acha, o que pensa, tanto na minha carreira como na educação das crianças. É uma confiança muito grande, confio mil por cento nele.

QUEM: Agora você volta para passar o Natal e o réveillon com Orlando e os filhos em Paris?
GP: Meu projeto futuro é voltar para casa, passar as festas de final de ano e reconstruir minha vida em 2010, que tem sido tão interrompida por esse período de trabalho. Minha rotina ficou estrangulada. A coisa do horário para ir para o francês, a ginástica, o pilates, correr ficou em segundo plano, em função das coisas mais urgentes, como casa, escola, que solicitavam a minha presença quando eu não estava trabalhando.



Fonte de pesquisa:
Quem acontece (01/12/2009) Confiram o link original no início da postagem

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